Américas

Turismo em Bogotá

Turismo em Bogotá: os colaboradores Jorge Santana e Eloísa Galdino, viajantes experientes, enaltecem a noite da capital colombiana como a mais ‘caliente’ das Américas.

Turismo em BogotáMotivados pelos vários relatos que pipocam nos mais diversos blogs, escolhemos Bogotá como destino para uma curta temporada de quatro dias, que terminou por acontecer no primeiro final de semana de março de 2013. A motivação também tem relação com o nosso desejo de conhecer um pouco mais da chamada América Espanhola, nos desnudando de preconceitos que muitas vezes nos levam até destinos mais distantes e à desvalorização de lugares mais próximos e interessantes, impregnados por uma diversidade decorrente do doloroso processo de contato do europeu com os povos pré-colombianos, a partir do início do século XVI.
 
Chegamos em Bogotá por volta do meio-dia de uma quinta-feira (horário local, 2h de fuso horário a menos) pela Avianca. Avião novo, vôo tranquilo, bom serviço de bordo. O desembarque foi no novíssimo aeroporto internacional El Dorado e os procedimentos de imigração dentro da normalidade. Passando por uma casa de câmbio, constatamos ter cometido um erro elementar: compramos moeda no aeroporto de Guarulhos pagando 650 pesos colombianos por Real, enquanto aqui estava cotado a 900 pesos.
 
O trajeto de táxi até o hotel GHL Hamilton custou 25 mil pesos (estranho como Chile e Colômbia, mesmo após domarem a inflação, insistem em não cortar zeros das suas moedas).
 
O hotel foi uma escolha acertadíssima (graças a recomendação de um dos posts do blog Viaje na Viagem, de Ricardo Freire): o GHL Hamilton Court é moderno, clean, com apartamentos tipo suíte e café da manhã satisfatório (diária média de R$ 300,00). O melhor, contudo, é a localização, incrustrado no coração da badalada Zona Rosa, a poucos metros da Zona T, onde as noites fervem na capital colombiana. Uma observação que vale para o hotel e para todos os bares e restaurantes que frequentamos: o atendimento é nota 10.

Pelo dia

Turismo em BogotáEmbora o propósito deste texto seja destacar a fantástica ‘nightlife’ de Bogotá, uma vez que outros aspectos do destino já foram fartamente tratados em blogs diversos, vale mencionar o roteiro convencional de turismo em Bogotá: subir de teleférico a Monserrate (3.200m de altitude) de onde se tem uma vista panorâmica da cidade e dois charmosíssimos restaurantes; bater perna pelo Centro Histórico, com visitas aos museus Del Oro (conta a trajetória da civilização colombiana através de milhares de peças de ouro e de cerâmica); o Botero (as obras do próprio Fernando Botero e seu rico acervo não podem deixar de ser vistos) e ao belo conjunto arquitetônico do Centro Cultural Gabriel Garcia Márquez (na fresca varanda do modernoso restaurante El Corral tomamos um tinto, petiscamos, e em seguida tomamos um café no Juan Valdez, (cultuada marca de café).

Curte a América Latina? Então veja o roteiro do Blog Malas Prontas em Bariloche (Parte 1)

Segurança

Também vale destacar, do ponto de vista geral, a organização da capital colombiana, principalmente no que diz respeito à segurança, item que por muito tempo afastou turistas daquela cidade. Bogotá hoje é uma cidade segura, com ar cosmopolita, atmosfera moderna e com uma politica de turismo bem executada ao ponto de posicionar o país como a novidade da América Latina.
 
Permitam-me abrir parênteses para falar sobre uma inusitada "atração" da cidade: seus minúsculos taxis amarelos (modelos ultracompactos, principalmente da Hyundai). Em meio a um trânsito mais caótico do que aqueles que estamos acostumados (a cidade não tem metrô e o transporte do tipo BRT já não dá conta da demanda), os taxistas levam você a uma emocionante aventura. Eles "costuram" e buzinam ensandecidamente, fazendo você se sentir em uma tomada cinematográfica.
 
Quem não estiver apto a viver fortes emoções, melhor evitar os taxis e, por via de consequência, a cidade. Aqueles que, como eu, curtem alugar carro, em Bogotá, nem pensar!

Curte a América Latina? Então confira o roteiro do Blog Malas Prontas em Bariloche (Parte 2)

Noite

Mas vamos ao que interessa, a famosa noite da cidade. A ferverção acontece na Zona Rosa e já na quinta-feira a movimentação era grande, embora os ambientes estivessem mais comportados. Na sexta-feira é quando o agito começa. Quando saímos do hotel, por volta das 21h, as ruas já estavam cheias e os bares começando a lotar. Escolhemos aleatoriamente o Colômbia Pub, que não cobra entrada.
 
Logo conseguimos uma mesa e uma hora depois todos estavam dançando ao som de um VJ que tocava 90% de música colombiana. Comprovamos depois que essa é a tradição: eles até tocam hits internacionais, mas apenas um aqui, outro acolá, ou seja, os colombianos curtem mesmo os seus ritmos musicais (uma mistura de influências africanas, nativas e espanholas).
 
Quando saímos do pub, quase em frente encontramos uma casa cubana com música ao vivo (cubana, naturalmente) e ali ficamos, depois de pagar 10 mil pesos para entrar. O agito era total e, entre um mojito e outro, ficamos até a noite acabar (3h da manhã em ponto, todos os estabelecimentos encerram suas atividades, sinal de modernidade que, esperamos, um dia chegue ao Brasil).
 
Propositalmente deixamos a noite do sábado para o badaladíssimo Andrés DC (que também fica na Zona Rosa) a casa noturna do celebrado Andrés Carne de Rés. São quatro pisos tematicamente decorados: o Inferno, a Terra, o Purgatório e o Céu, tão originais que é muito difícil descrever. Centenas de pessoas ocupam as mesas e todos os espaços, sobretudo nas noites de sábado, em meio à correria dos jovens garçons a transportar pedidos do cardápio, que é uma atração à parte: são dezenas de drinks e outra centena de petiscos, o que torna o cardápio em formato de revista uma atração da casa.
 
Turismo em Bogotá
No Andrés DC a música é eletrônica e, como disse, predominantemente colombiana, dançante, contagiante. Quando chegamos, por volta das 23h, a muvuca já estava instalada e somente no ambiente Terra conseguimos um pedaço de balcão para nos instalar. O Inferno era o mais animado, mas no fim da noite a alegria estava concentrada no Céu. Varandas a céu aberto acolhem os fumantes que precisam vencer o frio para alimentar seu vício. O público tem larga faixa etária, creio que entre 25 e 55 tem-se a melhor amostra. Enfim, um lugar indescritível, daqueles que só indo, e voltando outras vezes. A decoração é uma mistura de cores e influências as mais diversas e original até nos banheiros da casa.
 
Como nem tudo é perfeito, e apesar da máxima "quem converte não se diverte", chama atenção em Bogotá os elevados preços praticados por bares e restaurantes. Uma cerveja custa em média 10 mil pesos (R$ 12,50), um drink 20 mil pesos (R$ 25,00) e assim por diante. No Andrés DC, os preços são mais altos ainda.
 
No domingo, caminhamos do hotel até o Parque de La 93, outra badalada área de concentração de bares e restaurantes, e de lá seguimos de táxi para Usaquén, bairro charmoso onde acontece uma feira de artesanato, antiguidades e bugingangas em geral, que vale a pena visitar, sobretudo pela possibilidade de conhecer um pouco mais do comportamento e da cultura dos hermanos colombianos.
 
No mais, está confirmado: Bogotá é a novidade da América do Sul e, de quebra, ainda oferece um clima agradável o ano inteiro, com temperaturas variando entre 10 e 20ºC, graças a sua privilegiada localização nos Andes. Da próxima vez, a intenção é conhecer Medellin e Cartagena, sem abrir mão de voltar a passar ao menos duas noites na capital da ‘noche caliente’.
 
*Por Jorge Santana e Eloisa Galdino
Colaboradores
 
Fotos: Plaza de la República/Max Augusto; Museu Botero/Divulgação; Andres DC/Max Augusto
#Bogotá #Colômbia #América do Sul


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