Brasil

Turismo em Manaus

Meu amigo Max Augusto me pediu para escrever um pequeno texto sobre Manaus. Me chamo Matheus Melo e sou de Aracaju, porém faz um ano que moro no Amazonas (em Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, para ser preciso).

Antes de tudo: CALMA. Digo isso porque muitos imaginam o Norte do País como um local inóspito, repleto de gigantescas árvores e bichos perigosos, com índios perambulando nus por aí. Na verdade, as capitais da região são muito similares às nordestinas, e me surpreendi com a disponibilidade de certos produtos (Heineken! Biscoitos Bauducco!) em algumas cidades do interior.
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Crianças no Rio Amazonas (Foto: Divulgação/ColombiaTourism)

Manaus tem lugares muito bonitos, e outros nem tanto. Na verdade, o que marca o urbanismo local é a irregularidade, pois, ao contrário do harmonioso tabuleiro de xadrez aracajuano, Manaus não foi planejada. Muitas vias se ergueram sobre invasões, daí o aspecto desorganizado de alguns locais.
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Mercado Municipal Adoplho Lisboa (Foto: Argosfoto)

Outro problema é que a cidade não é tão bem arborizada - casa de ferreiro, espeto de pau. O que é de se lastimar – mesmo -, pois o calor é muito forte e, como estamos mais próximos à linha do Equador, a incidência de raios solares é mais oblíqua, intensificando a radiação (resumindo: use protetor solar).
 
Mas nada que os deliciosos sorvetes da Glacial não resolvam. A sorveteria tem pontos em toda a capital e conta com sabores típicos, como creme de cupuaçu, tapioca e tucumã (este, meu favorito); outro sabor é o amendoim crocante, realmente muito gostoso.
 
Outra dica para abafar o calor é o Largo São Sebastião, amplo e arejado. É lá que fica o suntuoso Teatro Amazonas, onde sempre há apresentações, muitas delas gratuitas Veja a programação aqui: http://www.cultura.am.gov.br/teatro-amazonas/.
 
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Interior do Teatro Amazonas (Foto: Pedro Angelini)

No Largo há muitos museus e bares (o do Armando é o mais conhecido, e o Caldeira, onde Vinícius de Moraes aportou certa vez, não fica atrás). Já o principal restaurante do pedaço é o Tambaqui de Banda (delicioso!), que serve o imperdível peixe homônimo; a iguaria - saborosa, proteica e magra - é o carro-chefe dos pratos amazonenses.
 
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Restaurante Tambaqui de Banda (Foto: Divulgação/Tambaqui de Banda)

Outras espécies que vale conhecer: a sardinha de rio, o pacu e o pirarucu
(eita povo pra gostar de... peixe), e são preparados de diferentes formas, como o escabeche (empanado, depois imerso num ensopado) e o guisado (o nosso ensopado).

Explore o Brasil! Confira aqui nosso roteiro de 03 dias em Recife
 

Pernas pra que te quero: região central

Ainda no centro, não deixe de passar pela Praça da Saudade (ampla e centenária, perto do Rio Negro Clube). O local é tranquilo e perto há dois espaços culturais relevantes: a Casa de Cinema e o Casarão das Ideias.
 
O foco do Casarão é teatro, com apresentações, livros (a biblioteca é bastante completa) e discussões. Há, no entanto, também atenção à dança e à literatura (a programação está no site http://casaraodeideias.com.br). O espaço em si é bastante bonito, vale uma visita (peça para conhecer o porão!).
 
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Casarão de Ideias (Foto: Divulgação/Casarão de Ideias)

Ainda pela parte central, está o microbairro de Aparecida. A despeito do trânsito corriqueiro, lá há muitas quitandas, mercadinhos, igrejas, casas antigas e clima familiar, o que lembra bastante uma cidade de interior, onde as pessoas ainda vão à rua e se conhecem pelo nome.
 
Seguindo a Aparecida até o bairro de São Raimundo, temos o belo e recém-inaugurado Parque Rio Negro, uma orla fluvial. Um destaque é a já desativada Cervejaria Correa, num edifício marcante na outra ponta do rio.
 
Andando mais um bocadinho pelo centro, encontramos o Palacete Provincial. Esse certamente vale a presença, pois é tudo-em-um: abriga diversos museus, entre os quais da Polícia Militar, do audiovisual, arqueológico e uma impressionante coleção de moedas, que inclui exemplares de outras nações e mesmo da roma antiga. O espaço é tranquilo e bonito, um refúgio à ansiedade inerente a qualquer centro de cidade grande.

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Cachaçada

O barzinho Jackie’N’Blues é um dos melhores de Manaus, com apresentações de jazz e rock clássico. A decoração é interessante, inclui sinuca, e há espaço interno e fora. É um lugar muito mais tranquilo que o Porão do Alemão - este um dos principais points da capital manauara, principalmente às quartas, quintas e sábados.
 
Quanto aos banhos, como são chamadas as cachoeiras e praias de água doce, são muito comuns no município de Presidente Figueiredo, há 100 km de Manaus. Para chegar lá, basta se dirigir ao Hotel Tropical, no bairro da Ponta Negra (a 13 de Julho de lá), e pegar um dos muitos ônibus turísticos.
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Rio Amazonas

Mas, já que você vai ter que atravessar a Ponta Negra mesmo, vale um final de tarde pela praia de lá. Houve reformas no calçadão há poucos anos, dotando a região de quadras de esporte, restaurantes e lanchonetes, além de uma bela iluminação noturna e uma vista para o Rio Solimões (coisa rara de ver em vida). É um local bucólico e romântico, com alguns dos principais eventos da cidade (o Fifa Fan fest, por exemplo, foi instalado lá). Só não recomendo tomar banho, a não ser que queira receber alta dose de coliformes fecais...
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Orla de Ponta Negra (Foto: Alexandre Alcântara)

Por perto há o Shopping Ponta Negra, mas o meu favorito é o Manauara. A ambientação é muito bonita (há um parque com vegetação original dentro do “mall”, bons restaurantes (como meu favorito por lá, o pequeno Tapioquinha, de culinária típica), uma livraria Saraiva e a Cachaçaria do Dedé.
 
A cachaçaria é uma rede de restaurantes e de secos e molhados de Manaus. O preço das refeições é um tanto salgado, é verdade, mas existem muitas bebidas variadas (vide a parede repleta de cachaça de tudo que é tipo), doces típicos, bacalhau importado, manteiga e condimentos finos. Não deixe de provar o chopp sujo (ou michelada, aqui na fronteira), com sumo de limão e sal na borda do copo.
 

Por conta do freguês

Caso queira curtir feiras gastronômicas (uma mania recente!), shows musicais, saraus, compre diariamente o jornal A Crítica, com bom caderno cultural. Senti dificuldade em saber o que rolava, e alguns manauaras me confirmaram que os eventos são pouco divulgados; o principal jornal local supre essa falha.
 
Ah, e se quiser conhecer histórias da tríplice fronteira (Colômbia, Peru e Brasil) e do interior da Amazônia, bem como histórias policiais, não deixe de visitar meu blog Papéis e Pistolas, no endereço www.gunsnstamps.wordpress.com!
 
#Manaus #Amazonas #Brasil


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