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No Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatório

No Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatórioAlguém já disse que Santa Teresa é um dos bairros mais bucólicos do Rio de Janeiro. Recanto de músicos e artistas, um passeio pelo lugar que muitos consideram o ‘Montmartre carioca’ carioca é apreciar seus diversos ateliês, com gente pintando nas calçadas. É curtir um samba, um jazz, e até mesmo uma banda de reggae na calçada. Reduto de gente descolada, que circula pelas sinuosas ruas de paralelepípedo, cercadas por suas casas antigas, Santa Teresa é um lugar para passear mais à vontade. Segue aqui um pequeno roteiro de como aproveitar as maravilhas deste lugar que muitas vezes é esquecido pelos turistas que vão ao Rio de Janeiro.

Começamos lamentando pela ausência do bondinho, que ainda não voltou a funcionar. De acordo com o governo, a previsão é de que ainda este mês ele esteja de volta aos trilhos. Sem ele, o passeio exige mais condicionamento para subir ladeiras e andar no calor. Fique de olho, não é incomum ver batedores de carteiras de olho nos turistas. Mas não é um local violento, basta ficar esperto.

Para hospedar-se, há muitas pousadas e opções de hostels. Se você pretende frequentar os bairros da zona sul carioca, Santa Tereza não é o melhor lugar para ficar. Passar alguns dias e noites por lá pode ser uma experiência interessante se você gosta de arte, gastronomia e daquele ambiente . E falando em comida, há hoje no bairro um polo gastronômico. Bares e restaurantes existem em todas as esquinas, mas há uma boa concentração ao redor do Largo dos Guimarães, uma das áreas mais boêmias do bairro. Vamos às nossas indicações de lugares para passear, comer e beber.

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Museu da Chácara do Céu
É incrível como pouca gente conhece esse lugar, que reúne hoje o maior acervo público de obras do brasileiro Cândido Portinari, além de uma riquíssima coleção com mais de 500 trabalhos de Jean-Batiste Debret. O museu é um dos espaços que a Fundação Museus Castro Maya mantém, com um belo acervo de pintores e escultores nacionais e internacionais.

O imóvel, por si só, já é uma atração. A casa de Santa Teresa, conhecida desde 1876 como Chácara do Céu, foi residência do milionário e mecenas que dá nome à fundação. Com jardins magníficos, possui uma das melhores vistas da baía de Guanabara. Em seu acervo, uma coleção de arte europeia que reúne trabalhos de artistas como Matisse, Modigliani, Degas, Seurat, Miró. Entre os brasileiros, Guignard, Di Cavalcanti, Iberê Camargo e Antonio Bandeira. Aberto diariamente, exceto às terças-feiras, das 12h às 17h. Entrada

No Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatórioParque das Ruínas
Logo ao lado da Chácara do Céu estão as ruínas da casa que foi propriedade da mecenas Laurinda Santos Lobo (sobrinha de Joaquim Murtinho, Ministro da Fazenda de Campos Salles) que costumava realizar festas e saraus - eram o ponto de encontro do modernismo brasileiro. O maestro Villa-lobos e a pintora Tarsila do Amaral estavam sempre por lá. As ruínas da residência foram transformadas num mirante de onde se vislumbra uma verdadeira sequência de cartões-postais cariocas – da Baía de Guanabara ao centro da cidade. O espaço mantém ainda uma rica e variada programação cultural, com shows de música. Vale a pena visitar o site e conferir.

No Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatórioCastelo
Estando em Santa Teresa, se olhar para o alto você provavelmente verá uma construção inusitada: um castelo, na parte mais alta do morro. É o Castelo Florentino De Santa Tereza, que hoje abriga as instalações do Centro Educacional Anísio Teixeira (CEAT) e é uma das muitas atrações do Rio de Janeiro que raramente são incluídas em roteiros turísticos. Foi erguido em 1942, por iniciativa do banqueiro Oscar Sant'Anna, que ao visitar, em Veneza (Itália) o Palazzo Vecchio, resolveu construir um parecido, aqui no Brasil. Mármores, pedras e vitrais foram importados da Europa.

No Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatórioEscadaria Selaron
Esse é sem dúvida o cartão-postal do bairro. Muita gente vai até Santa Teresa apenas para visitar as escadarias, cometendo o pecado de ir embora logo depois. A antiga escadaria do convento de Santa Tereza foi ‘decorada’, digamos assim, pelo artista plástico Selarón, que após passar por mais de 50 países, decidiu viver em Santa Tereza, no Rio. No início da década de 90 ele começou a residir à beira da escadaria que liga o bairro da Lapa à ladeira de Santa Teresa. A ladeira era tradicionalmente pintada de verde e amarelo para a Copa do Mundo. Foi aí que em 1994 o artista começou a azulejar os degraus, um trabalho solitário que logo passou a receber doações de azulejos dos moradores, e depois de gente do mundo todo.

Além de apreciar a obra de arte e transitar por ela, existem ali por perto várias opções de barzinhos e restaurantes. Curta o lugar, mas fique de olho, não é difícil ver bêbados e pessoas utilizando drogas. Câmeras fotográficas e celulares são alvos de furtos, mas geralmente o local está cheio de visitantes e é possível ficar tranquilo.

No Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatórioNo Rio de Janeiro, Santa Teresa é passeio obrigatórioAdega do Pimenta
Depois de andar por tantas ladeiras, sob o calor escaldante, a fome vai chegar. Se der vontade de tomar um bom chopp, boas opções de botecos cariocas e restaurantes legais não vão faltar, mas nossa indicação é a Adega do Pimenta, especializada em cozinha alemã. O primeiro dono era um alemão, mas vendeu o espaço – que continua mantendo a tradição de servir cervejas de diversos rótulos e uma culinária maravilhosa.

O lugar é pequeno, clima alemão. O prato mais recomendado é o tradicional Eisbein, um joelho de porco cozido, iguaria das mais apreciadas na Alemanha. Outra boa dica é a feijoada alemã, com feijão branco e gosto completamente diferente da nossa. Na entrada, um mix de deliciosas linguiças artesanais, com receitas alemãs. Depois é voltar a percorrer as ladeiras, para queimar calorias.

Outro passeio que vale a pena no Rio de Janeiro: Quinta da Boa Vista. Confira aqui todas as dicas!

Aprazível
Se você está com tempo (e com dinheiro no bolso), a melhor pedida é concluir seu passeio com um almoço ou jantar no ‘Aprazível’. O lugar possui diversos ambientes, contando com uma vista deslumbrante. A cozinha é brasileira, gastronomia de primeira qualidade, que visita influências indígenas, nordestinas e dos demais recantos do país, num ambiente que lembra uma casa de campo, sem abrir mão de muito refinamento e elegância.

É possível ver o cardápio e conferir as instalações na internet. Na entrada, uma boa pedida da é a linguiça mineira ou acarajé do cerrado – todos com um sabor inusitado e toque de alta gastronomia. É possível pedir ainda um cuscuz de tapioca, ou palmito servido no bambu. Prato principal, o rosbife servido frio com mostrada e o arroz de galinha caipira estão entre os mais pedidos, ao lado de muitas opções de peixes. Para beber, uma carta de vinhos variada, diversas opções de cervejas (incluindo importadas e a que é fabricada lá mesmo) e mais de cem rótulos de cachaças.
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