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Lima: a surpreendente capital peruana

Lima: a surpreendente capital peruana
Lima vista de Miraflores (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

Lima
é a capital, a maior cidade do Peru e uma das maiores da América Latina com seus 9 milhões de habitantes. Banhada pelo Pacífico, a cidade tem clima singular: o céu nublado a maior parte do ano, com temperaturas entre 21°C e 28°C no verão (dezembro a abril) e entre 12°C e 19°C no inverno (junho a setembro), com raríssimas chuvas.
 
Embarcamos em Guarulhos pela TAM no vôo da madrugada, chegando em Lima no começo da manhã. Seguimos as dicas de viajantes que recomendaram levar dólares (o câmbio do Real é muito ruim) e tomamos um Green Táxi, cujo balcão fica depois do desembarque e trabalha com tarifas fixas (19 dólares para Miraflores). Tivemos sorte com o motorista, Miguel, um senhor que já morou no Brasil e em outros países, dono de uma boa conversa.
 
Lima: a surpreendente capital peruana
Lima (Foto: Divulgação/Peru Turism Bureau)

O trânsito caótico, muito parecido com o de Bogotá, produziu um primeiro impacto negativo logo na chegada, mas com o tempo, depois de alguns sustos com as manobras radicais dos motoristas e com o constante barulho das buzinas, fomos nos acostumando.
 
O serviço de táxi é ruim e, para completar, não existem taxímetros: você diz para onde quer ir e o motorista informa o valor, cabendo negociação. Por tudo isso, o melhor é usar o Uber, que tem uma boa oferta de carros e tarifa adequada.
 
A troca de moeda (preferencialmente de dólares para soles) deve ser feita nas casas de câmbio presentes nas principais avenidas da cidade, evitando os cambistas avulsos que ficam nas portas de restaurantes e em lugares de grande movimento porque há sempre o risco de receber dinheiro falso.
 
Para a hospedagem de quatro dias escolhemos o Radisson Decápolis Miraflores, excelente pedida pela localização, instalações, serviço, bares (um no térreo e outro no terraço com lounge) e pelo diferenciado café da manhã estilo brunch.

Miraflores e Barranco

O melhor de Lima está nos distritos de Miraflores e Barranco, cujos cerca de 10 km de orla sobre a falésia são um convite a uma inesquecível pedalada pela segura ciclovia que passa por diversos parques, com vistas exuberantes do Pacífico.
 
Lima: a surpreendente capital peruana
Pedalada entre Barranco e Miraflores (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

Fizemos o percurso na manhã de uma segunda-feira, alugando as bikes no parque que dá acesso ao shopping Larcomar. Os mais corajosos poderão encarar um passeio de parapente com embarque nas imediações do Parque del Amor, cuja escultura El Beso (O Beijo), de Victor Delfín, é parada obrigatória para fotos. Sob a belíssima ponte do local, há uma escadaria que leva à praia, povoada de surfistas, com a possibilidade de alugar prancha e equipamento e cair nas águas frias do Pacífico.

Lima: a surpreendente capital peruanaParque sobre as falésias na Orla de Lima (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

Ali próximo está La Rosa Náutica, um restaurante que é uma verdadeira atração turística, pois está literalmente dentro do mar e possui até lojinhas para adquirir uns regalos. Paramos para apreciar o oceano na companhia da excelente cerveja local Cusqueña (Dorada e Roja) e do delicioso coquetel Pisco Sour (com limão ou maracujá), que é o drink oficial do Peru que vale provar e conhecer um pouco desses marcantes sabores.

Lima: a surpreendente capital peruanaLa Rosa Náutica (Foto: Divulgação/La Rosa Náutica)

Incrustado no penhasco de frente para o Pacífico está o shopping Larcomar, definitivamente diferente dos quase sempre monotemáticos centros comerciais mundo afora, e que merece ser visitado.
 
São várias opções de restaurantes, com destaque para o badalado Mangos, de cuja varanda aberta se contempla a incansável paisagem do oceano, enquanto se saboreia uma amostra da celebrada culinária da cidade (que tal um ceviche?), onde predominam os frutos do mar.
Com sorte, e foi o nosso caso, o astro-rei dá o raro ar da sua graça e se põe proporcionando um verdadeiro espetáculo sobre as águas do Pacífico.

Lima: a surpreendente capital peruana
Pôr do Sol no Pacífico (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

Huaca Pucllana

Em pleno distrito de Miraflores e rodeado de casas e prédios está o sítio arqeológico Huaca Pucllana, construído pelos Limas, povo pré-inca. Acredita-se que o local tenha sido usado como templo para sacrifícios de mulheres a fim de acalmar as deusas, que eram consideradas muito violentas.
 
Lima: a surpreendente capital peruana
Huaca Pucllana (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

O projeto museográfico do sítio é preciso ao descrever os traços da religiosidade, a vida cotidiana dos Lima, além do cuidado com a restauração de peças que nos remetem às raízes da América Latina.
 
A entrada custa apenas 10 soles, com direito a visita guiada, em inglês ou em espanhol, que dura uma hora e inclui a subida à pirâmide. Na entrada do sítio tem um moderno restaurante tido como um dos melhores da cidade, onde paramos apenas para tomar cerveja e pisco sour.

Centro Histórico

O passeio pelo Centro Histórico de Lima é naturalmente obrigatório. São belas edificações com balcões da época republicana que outorgam uma característica muito singular a Lima.
 
Pelo seu grande valor histórico, o centro foi declarado pela Unesco, em 1988, como Patrimônio da Humanidade. Merecem destaque as praças Mayor e de San Martín, o Palácio do Governo, a Catedral de Lima e o Palácio Arquiepiscopal, a Basílica e Convento de São Francisco.
 
Lima: a surpreendente capital peruana
Centro Histórico de Lima (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

Suntuosidade talvez seja a palavra mais adequada para descrever esses prédios, um traço da dominação ibérica na parte sul do continente americano. Algo que nos tocou muito foi ver um guia turístico mencionar o nome de Francisco Pizarro, o espanhol que "fundou" Lima, num processo de dominação e destruição do Império Inca.

Barranco

Para quem curte vida noturna, o lugar certo é o distrito de Barranco, famoso pelo seu traço cultural e gastronômico. O destino é a Puente de los Suspiros em cujo entorno existem vários bares e restaurantes.
 
Passamos no animado Rustica, onde muita gente dançava música peruana, depois seguimos para o Picas, que fica embaixo da ponte, e ali ficamos curtindo hits comandados por um DJ acompanhado por um baterista e um saxofonista.

A cozinha peruana, considerada como uma das mais privilegiadas do mundo, herdou da história sua diversidade, sua mestiçagem e seu sabor. Tudo isso se deve ao intercâmbio cultural ao longo do tempo, onde se destacam a imigração espanhola, africana, chinesa, japonesa e italiana. Da mestiçagem se destaca o inigualável anticucho de coração, o tacu-tacu e a carapulcra, pratos que trazem a herança africana.
 
Lima: a surpreendente capital peruana
Em Lima, a gastronomia é uma atração turística de destaque (Foto: Eloísa Galdino e Jorge Santana)

As nutritivas massas chegaram com os imigrantes italianos e suas adaptações deram como resultado pratos caseiros como os talharines verdes ou vermelhos. O ceviche, prato insígnia peruano, nasce da fusão com a cozinha nipônica. Finalmente, a corrente novoandina promove os ingredientes autóctones servidos em toalha branca, resgatando desta maneira o sabor nacional.
 
Os mais famosos restaurantes - como Astrid y Gaston e o Central - exigem reservas com muita antecedência e, detalhe, não abrem aos domingos. Fomos ao Pescados Capitales, uma excelente opção que abre todos os dias.
 
A conclusão a que temos chegado nesse tour pelas capitais latino-americanas, depois do qual certamente incluiremos outros destinos como Cuzco (no Peru) e Cartagena (na Colômbia), é que há muito mais do que apenas Buenos Aires e Santiago no centro-sul do Novo Mundo. São cidades cosmopolitas, que se modernizaram, pero sin perder su identidad, apresentando ao turista um imenso mosaico formado por arquitetura, gastronomia, paisagens e, o mais importante, gente como a gente.
 
(*) Jorge Santana e Eloisa Galdino estiveram em Lima em maio de 2016.
 
#Lima #Peru #América Latina


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