Américas

New Orleans: Música, Cultura e História

Por Jorge Santana e Eloisa Galdino
 

Há muito planejávamos conhecer New Orleans, e terminamos por viabilizar a viagem no outono de 2015. É a cidade mais populosa do estado americano da Louisiana, fundada originalmente por exploradores franceses e sua população atual é de cerca de 350 mil habitantes.
New Orleans: Música, Cultura e História
New Orleans (Foto: Divulgação/NOLA)

A cidade é conhecida pelo seu legado multicultural - especialmente por influências culturais francesas, espanholas e afro-americanas -, pela sua música e pela sua culinária.
 
New Orleans é um destino turístico internacional mundialmente famoso graças aos seus vários festivais, sendo os mais importantes o Mardi Gras, Jazz Fest, Southern Decadence e o festival de futebol americano Sugar Bowl.

Veja aqui também o relato de Jorge Santana como intercambista em Boston

French Quarter

Desembarcamos no Aeroporto Internacional Louis Armstrong na tarde de uma quinta-feira e já sentimos a presença da musicalidade em mais de um espaço do charmoso aeroporto, um deles com uma típica banda de jazz.

Seguimos de táxi (tarifa fixa de US$ 36,00 para duas pessoas) para o hotel Holiday Inn Superdome, localizado no Central Business District, adjacente ao French Quarter. Largamos as malas e fomos ansiosos conhecer o French Quarter, área da cidade notória pela sua intensa vida noturna.

Nossa primeira parada foi num típico restaurante da cidade, onde já foi possível encarar uma degustação do que há de melhor da exótica gastronomia creoule: jambalaya, uma espécie de risoto com frango e camarão; gumbo, um tipo de sopa; Red Beans/Rice, feijão vermelho com linguiça e arroz; Tomatoes with side of remoulade & Biscuit.

Sabores marcantes, delícias de uma rica culinária. E por que não conhecer logo o hurricane, sugestivo nome do drink mais famoso de Nola (acrônimo carinhoso de New Orleans)? Sim, tudo isso na chegada.

Bourbon Street

O calor estava grande (por volta de 28 °C) e contribuiu para produzir uma decepcionante primeira impressão da famosa Bourbon Street, cujo descuido nos remeteu a várias ruas de cidades brasileiras, sobretudo de Salvador e Recife. Na Bourbon predominam bares, alguns restaurantes e strip clubs.
 
A liberalidade vista aqui deve ser o maior atrativo para os milhares de americanos que circulam com seus enormes recipientes de cerveja ou de hurricane, dia e noite. Se você pensou em Vegas, talvez Nola seja ainda mais permissiva, mais pulsante e, claro, infinitamente mais original.

Mas o French Quarter não se limita à Bourbon Street. Há várias outras ruas importantes, como a Decaturpróxima ao rio Mississippi. A Jackson Square é parada obrigatória: ali ficam a St Louis Cathedral e o prédio histórico The Cabildo, o começo do French Market (obrigatório entrar no Café du Monde para apreciar seu inigualável café com beignets, uma espécie de sonho) e importantes monumentos históricos.

A praça termina no Riverwalk, um longo passeio às margens do Mississippi que merece uma boa caminhada até o Outlet Collection, um interessante shopping a beira rio, antes passando pelo Aquarium of The Americas.
 
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Jackson Square

Canal Street

A Canal Street separa o Central Business District do French Quarter e é uma das vias mais importantes da cidade. Larga, repleta de lojas, bares e hotéis, é ótima para caminhar e fazer compras.

Na Canal e em outras importantes vias circula o Streetcar, um bonde elétrico charmosíssimo e eficiente que utilizamos bastante para circular pela cidade (tarifa de US$ 3,00 para 24h de uso). Impossível passar pela cidade sem adquirir um ticket do Streetcar, afinal, além de ser ótimo para o deslocamento dentro da cidade, é uma forma especial de mergulhar na diversidade cultural de Nola.

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Canal Street

Museus

New Orleans é famosa pelos seus vários museus, dentre os quais destacamos The National World War II Museum, onde planejamos gastar duas horas e ali ficamos por mais de quatro. O museu proporciona uma interativa imersão no cenário da Segunda Guerra Mundial, por seu acervo, mas sobretudo por sua proposta museográfica e, inobstante a excessiva valorização do papel dos Estados Unidos no conflito, tem grande significado histórico e pedagógico.

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Museu da 2ª Guerra Mundial
Um dos nossos principais objetivos para a viagem era usufruir da vida noturna, especialmente ouvir jazz em seus bares, e assim fizemos em duas noites, ambas nas duas quadras da Frenchmen Street, onde a música marca presença em todos os estabelecimentos.

The Maison e Bamboula's foram nossas escolhas e ali ouvimos jazz e novos experimentos musicais de diferentes grupos com variada faixa etária.

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Jazz no The Maison
É uma experiência pra lá de marcante: casas cheias, drinks perfeitos e distintas gerações de jazzistas dividindo o palco, movimentando todos os sentidos e enchendo os corações de alegria. Música, Música! Para chegar na Frenchmen Street fomos de Streetcar, descendo no último ponto (French Market), que fica a poucos metros da rua.
 
A culinária é outra grande atração da cidade: apimentada, fruto da multiculturalidade (francesa, espanhola, africana e americana), tem na jambalaia, no gumbo e no red beans and rice os principais exemplares. É comum encontrar temperos para esses pratos nas muitas lojas de souvenirs espalhadas pelo French Quarter.

De Bike

Como costumamos fazer em cidades bike friendly, reservamos o domingo para uma longa pedalada. Saindo do French Quarter (www.americanbicyclerental.com, US$ 25,00 por 4h), passamos pelo Louis Armstrong Park, belo parque que homenageia o grande nome do jazz; seguimos para o City Park, o maior da cidade, onde fica o New Orleans Museum of Art; e retornarmos pela Canal Street, circulando por várias ruas do Central Business District.

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De bike no Louis Armstrong Park

Foram 4 horas de pedal, com duas paradas de meia-hora para breves sessões de hidratação (com água, vinho branco ou cerveja). A cidade é plana e de fato os motoristas respeitam o ciclista, sempre dando a preferência.
 
Fizemos o riverboat tour (passeio de barco a vapor pelo Mississippi) no Steambot Natchez, com almoço incluído (US$ 40,00 por pessoa, comprado no local do embarque, no Riverwalk).

O passeio é interessante, proporcionando uma vista muito bonita do French Quarter. O almoço é do tipo buffet e a música ao vivo (banda de jazz tocando clássicos) agradou bastante. O tour diurno sai às 14h30 e retorna às 16h30.

Há também o tour noturno, com opção de jantar. Detalhes à parte, a sensação de navegar num rio como o Mississipi vale como registro pra vida toda, impossível não pensar em nossas aulas de história e no papel daquele rio durante a guerra civil americana.

Plantations

Outro passeio imperdível é a visita a uma das plantations, fazendas às margens do Mississippi onde se cultivava cana-de-açúcar no século XIX. Fomos a Oak Alley (R$ 236,00 por pessoal no Decolar.com, mais em conta do que os US$ 80,00 cobrados por empresas locais), distante a 1h de New Orleans, em ônibus da Gray Line. A viagem é agradável, com o motorista fazendo as vezes de guia (muito comum nos EUA).

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Oak Alley

Em Oak Alley a visita guiada à casa grande, totalmente restaurada, demora cerca de 1h e é uma verdadeira aula de história. A visita ao alojamento dos escravos é igualmente pedagogica, mostrando as condições em que viviam, seus hábitos e costumes.

Como visitar um lugar desse sem levar aquele clássico soco no estômago ao imaginar o cenário do modelo MEL (monocultura, escravidão e latifúndio) tão presente em toda a América Latina?
 
Também conhecida como The Big Easy, New Orleans é uma cidade singular, que foge ao padrão americano pela sua forte identidade cultural. Até a "desorganização" de várias ruas do French Quarter revela esse jeito particular de ser, que atrai dez milhões de turistas por ano, a maior parte do seu próprio país.

É daqueles destinos com identidade forte, marcante, um lugar que é hoje uma grande referência turística para os próprios americanos, certamente pelo perfil hedonista da cidade. Mas como eles estão em todos os cantos, podemos dizer que também é uma forma de entender a história do seu país e refletir sobre diversidade e respeito à cultura sulista.

Fotos e texto por Jorge Santana e Eloísa Galdino
 
#New Orleans #Estados Unidos


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